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pedro

Olá gente!

Há muitos anos tive vontade de contar sobre nossa experiência com nosso filho João Pedro. E
sem mais delongas vamos concretizando este projeto. Neste blog estarão muitas informações
sobre autismo embasadas em experiências reais contendo linguagem simples e acessível, pois,
sou mãe antes de qualquer pré-requisito.
Atualmente meu filho está com nove anos de idade esta em regime de inclusão no ensino
regular dentre outras atividades e terapias que vamos compartilhar.

Autismo: Uma nova chance de recomeçar

Gestação: Após um ano de casada eu e meu esposo resolvemos engravidar… Realizamos todos
os exames de rotina, tomei ácido fólico e tudo como manda o figurino…
Então em meados de dezembro inicia o desenvolvimento do nosso tão sonhado e desejado
filho, fizemos muitos planos, os dias corriam… cesariana marcada para setembro adivinhe?
João Pedro nasce dia 22 de agosto, saudável com ótimos sinais vitais… Voltamos felizes para
casa, eu professora tinha feito um cálculo para permanecer nas férias com ele até seus sete
meses…
Claro tinha estudado e lia muito sobre o desenvolvimento do ser humano, fases, etc.
Amamentação normal, dormia a noite toda, mas não dormia durante o dia. Voltei ao trabalho,
praticamente 60 horas. Balbuciava pouco, começou a andar com 10 meses e engatinhar
praticamente simultaneamente. Falava algumas sílabas e algumas palavrinhas, certo dia com
18 meses após a mamada, vomitou todo o leite em jato. Levei ao pediatra, constataram
refluxo. Então, mudamos a posição do berço, utilizamos medicação. Ele sempre ouviu muito
bem, mas tinha alguns comportamentos estranhos, por ser o primogênito considerávamos
normal… Que tipo de comportamentos? Bom ao andar, praticamente corria, não sentava,
falava pouco, gostava de pedras, terra, areia, água e o detalhe quebrava todos os brinquedos e
levava tudo à boca…
Por vezes, João levava pedras junto para o banho e não soltava então eu dava banho nele e
nas pedras… rsrsrs secava as pedras e ele levava as pedras para dormir com ele… ou pedaços
de pau, ou pedaços de brinquedos… Mas, até aí até ele apontava… tenho fotos. Claro que,
hoje sabemos que não era um apontar funcional. Teve muita estimulação pela avó materna
pedagoga aposentada.
Tinha rinite, bronquite e tudo com ite… veio refluxo…

Escola parte I:

Tentei adaptar da melhor forma possível, apenas meio período e já estava com 24 meses, até
atrasado para os padrões atuais da Educação Infantil, já que até o momento ficava em casa aos
cuidados da avó materna.
Primeiro dia amou… mas ao adentrar a sala de aula arrancou praticamente tudo que tinha nas
paredes e colocava na boca… fui para casa feliz da vida e durante adaptação, fui buscar
antes… Segundo dia choradeira desesperada, vômito… resultado… fomos para casa. Terceiro
dia deixei-o chorando com coração partido fui para o trabalho. Quarto dia ficou doente vômito
em jatos, internação… duas semanas praticamente… e o que chamam de gatilho aconteceu
aos 28 meses se instalou o autismo definitivo e por tempo indeterminado.
No hospital meu filho até brincava de fazer comidinhas para as enfermeiras e tudo mais. Mas
clinicamente estava muito mal, abaixo do peso, vomitava tudo e ai se descobria também uma
intolerância a lactose… Quando voltamos para casa, os comportamentos ficaram evidentes,
não aceitava nem água, não comia nada, não olhava, não sorria, nossa vida era um não..
Levamos a um especialista e iniciamos uma dieta sem lactose, nossa morando numa
cidadezinha do interior de Santa Catarina… falar disso era inaceitável… Passamos por todo tipo
de situação, desde olhares até julgamentos e comentários maldosos.
Na época ainda dava aulas mais esporádicas, claro para conseguir atender a demanda de
nosso filho. Graças a Deus, um médico fantástico de Passo Fundo no Rio Grande do Sul, minha
mãe e nosso empenho, João iniciou uma recuperação alimentar lenta…
Início das Terapias:
Apesar dele não usar alguns tipos de roupas, ter parado de falar literalmente, fase de mutismo
e não interagir com ninguém, iniciou a fase de pular na cama antes de dormir, apagar e
acender as luzes, gargalhar e olhar para o além… Decidi deixa-lo em casa, pois tinha os primos
para brincar e a questão da alimentação restrita e claro que ele já conhecia muitas guloseimas
e produtos lácteos… Se para a gente era difícil o controle, imagine na escola onde todos
compartilhavam os lanches…
Por indicação de um familiar resolvi finalmente com quase 36 meses investigar a fala numa
fonoaudióloga… Nossa, levei toda animada e crente que era apenas um trauma, pois toda
família tem um tímido e famoso caladão… Depois de algumas semanas, a profissional me
chamou e pediu para encaminhar o João Pedro para um neuropediatra, apenas para investigar
o porquê de sua hiperatividade… resumindo ela não conseguia trabalhar…
Levamos para a primeira consulta, a neuropediatra disse: “Mãe seu filho é mal educado, não
tem autismo, porém, não olha nos olhos e isto é péssimo… vou pedir estes exames e digo que
você está perdendo seu filho, o traga de volta”. Pensem num desespero quando ela disse
autismo o termo ficou atrelado a todos os fatos… Meu esposo disse: “ah fica tranquila,
também sou esquisito…”.
Imaginem se ia ficar tranquila, levei a uma psicóloga, levei João de volta para a escola e pensei
agora vou adaptar este guri, custe o que custar. Levei a uma psicóloga ele jogou todos os
brinquedos… ao final da consulta falou: “Olha ele está descobrindo os brinquedos, penso que
não seja nada grave”. Naquele momento pensei tomara que não tenha quebrado nada.

Escola parte ll

Vamos para a escola João Pedro?
Pensa numa encrenca… sem saber criei uma rotina embasada em tudo que tinha lido sobre
crianças em fase de adaptação, mesmo vomitando e chorando conseguimos o impossível…
ficar na sala – na verdade, ele fugia muito e pegava terra e pedras dos vasos de flor acabando
com o paisagismo do colégio… –
Resolvemos levar para outra neuropediatra… naquela altura já tinha googlado tudo sobre
autismo e tomado conhecimento das perguntas e testes mais comuns dos profissionais da
área. Para esta segunda profissional me preparei… Pasmem! Estava na fase de negação… Meu
filho não era autista, passei a encher a casa de crianças… afinal a culpa era minha eu era a
única responsável pelo meu filho estar assim, faltou estímulo…
Fomos e disse ao meu esposo, quando ela perguntar deixe que eu responda… você nem fica
com ele, fica bem quieto. Respondi cada absurdo, que tenho vergonha de lembrar. A médica
percebeu, meu filho estava na frente dela… Jogando os brinquedos, sem fixar o olhar e a
atenção em qualquer coisa, ordens simples ou simplesmente atender quando chamava pelo
seu nome. Meu esposo chegava suspirar e eu continuava mentindo, nem que fosse para mim
mesma. A profissional encaminhou para uma neuropsicóloga para fazer uma avaliação.
Naquela altura as estereotipias estavam a toda, corria em círculos, pulava no sofá, chorava
quando entravamos em lugares desconhecidos, fazia a refeições andando, comia areia, terra…
Certamente… nossa história continua…João Pedro está com 9 anos!

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